sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Profecia autorrealizável



Não é lenda nem misticismo. É a psicologia que explica a profecia autorrealizável. Não entendeu? A coisa acontece assim: quando nos convencemos de que algo acontecerá (ou não) tratamos de providenciar as condições para demonstrar que tínhamos razão, mesmo inconscientemente.
Exemplo prático: participei, há pouco tempo, de dois encontros empresariais em que pude verificar esse fenômeno. Num deles, o principal executivo iniciou sua fala assim: "Conforme prevíamos, este ano foi difícil e nós, infelizmente, estamos terminando com resultado negativo". Já o outro: "Vocês devem lembrar-se que eu disse que, apesar da crise, nós terminaríamos este ano no azul... Parabéns a todos! Pois foi o que aconteceu". É coincidência ou não?
Qualquer pessoa pode ter suas próprias profecias autorrealizáveis, contudo, quando tal previsão vem do líder principal de uma empresa, não tem erro. Ele contamina a todos e surge uma "corrente-pra-frente" em direção ao sucesso ou ao fracasso, dependendo da previsão desejada. Freud explica.
Eu sei, muitas vezes um líder tem que trafegar pelo caminho estreito entre o otimismo infundado e o pessimismo paralisante. Nessas horas, precisa de muita lucidez e sangue frio para tomar decisões estratégicas corretas. Acertando ou não, o que não pode é contaminar os liderados com pessimismo. Para isso o líder existe.
E uma coisa é certa: o conveniente é evitar a idéia do "já ganhamos" antes de terminar o tempo regulamentar. Entretanto, também não dá para ganhar entrando em campo com um sentimento de derrota já fincado no peito. Pois tal como no futebol, no jogo das empresas tudo pode acontecer.

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