sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pesquisa mostra que salários crescem, mas remuneração variável cai

Levantamento com 450 empresas aponta que 64% delas têm dificuldade para reter talentos


“Atualmente não sentimos dificuldade em atrair talentos no Brasil. Nós temos sorte de termos uma marca respeitada e confiável, que é reconhecida em todo o mundo. Essa é, com certeza, uma vantagem positiva”, diz Michael Ross, Head Global de RH da Visa.
A bandeira é uma exceção: poucas empresas no país têm conseguido manter o quadro de profissionais sem esforço. De acordo com pesquisa realizada pela Hay Group com 450 companhias, a contratação atingiu 14%, enquanto o desligamento chegou a 13%, ao longo de 2012.
Uma das formas mais comuns de estimular e reter os executivos é distribuir bônus, mas, no ano passado, os valores das gratificações caíram, devido aos resultados apresentados pelas companhias. Enquanto um diretor ganhava, em média, 7,9 salários de PLR e incentivos de curto prazo, em 2011, o número despencou para 5,2, em 2012.
Brasil Econômico/ Rodrigo Capote
Alexandre Pacheco, do Hay Group: o bônus foi menor porque a gratificação está atrelada ao cumprimento de resultados das companhias
A notícia se torna preocupante mais preocupante quando 60% dos entrevistados afirmam que não têm intenção de mudar o programa de bonificação, em 2013. “O bônus foi menor, porque essa gratificação está atrelada ao cumprimento de resultados. Isso é, em parte, reflexo do crescimento de 0,9% do Produto Interno Bruto. O ano foi difícil”, comenta Alexandre Pacheco, gerente do Hay Group.

Quando perguntado sobre programa formal de incentivos de longo prazo (stock option e bônus diferido), 75% dos entrevistados disseram que não possuem. Entre aqueles que já utilizam esses benefícios, 70% afirmaram que não pretendem fazer qualquer tipo de alteração. Por outro lado, a expectativa é que haja aumento salarial, neste ano. Entre os executivos, a alta deve ser de algo entre 6,5% e 7%, enquanto outros cargos devem receber alta de 6% a 6,5%.
“A remuneração está mais pressionada por causa dos dissídios, da dificuldade em achar bons profissionais no mercado e da tentativa de manter o quadro de colaboradores estável”, acrescenta. Tanto é que os principais programas de retenção de talentos, neste ano, devem envolver a implantação ou comunicação de programas de carreira, além da construção de um plano de sucessão organizacional para posições chave, de acordo com o levantamento.
Segundo Juliano Ballarotti, diretor em São Paulo da Hays, se a economia crescer a 3% no ano — como espera o governo —, a falta de profissionais de mãos de obra qualificada vai ficar ainda mais acentuada. “Neste caso, veremos uma alavancagem ainda maior dos salários e mais troca-troca de emprego.
As empresas estão refém dos profissionais”, afirma. Entre os setores mais demandados estão o de óleo e gás, construção civil e tecnologia da informação. “Só que se os executivos abusarem disso, podem ser surpreendidos quando o mercado virar.”

fonte: http://economia.ig.com.br

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