quinta-feira, 4 de abril de 2013

FÓRUM HSM GESTÃO E LIDERANÇA

Liderar é fazer escolhas, correr riscos, acertar e errar

Palestrantes do Fórum HSM Gestão e Liderança 2013 propiciam reflexão e insights sobre decisões estratégicas determinantes da sustentabilidade das mudanças e do sucesso do executivo. E elencam as principais qualidades de um líder –entre elas, a capacidade de escutar. 
 
O primeiro dia do Fórum HSM Gestão e Liderança 2013 reuniu palestrantes que salientaram a importância das escolhas que o líder faz em relação aos caminhos que a empresa tomará e às pessoas que o acompanharão nessa jornada.
Tais decisões requerem, como deixou claro o professor David Ulrich, da University of Michigan, alinhamento estratégico. Ele propõe uma organização pensada e capacitada “de fora para dentro”, já que a identidade de uma empresa é o modo como os clientes a veem.
Ao destacar a importância das decisões sobre pessoas, Cláudio Fernández-Aráoz, sócio da Egon Zehnder, alertou para o ponto estratégico número um da atualidade: a retenção de talentos. O pipeline de sucessão está secando, e os talentos ousados, que têm entre 24 e 44 anos, são muito disputados.
A insatisfação da gerência sênior constitui mais um fator de impacto sobre a oferta de talentos. Esse foi um dos destaques da apresentação de Sofia Esteves, presidente do Grupo DMRH, sobre a pesquisa Empresa dos Sonhos dos Executivos 2013, cujos resultados serão divulgados em breve.
Para enfrentar esses e outros desafios da liderança, Morten Hansen, da University of California, sugere aos líderes uma combinação de forte disciplina, vigilância e criatividade embasada em fatos. Ulrich, por sua vez, deixa preciosas dicas de como fazer a mudança se sustentar.
Foco nas pessoas
George Kohlrieser, Jeffrey Pfeffer, Hélio Rotenberg e Peter Hirshberg foram os palestrantes do segundo dia do Fórum HSM Gestão e Liderança 2013. De formas diferentes e bastante elucidativas, os quatro especialistas reforçaram a importância da comunicação transparente entre líder e liderados, para o sucesso das organizações.
Comunicação pressupõe pessoas, que devem ser o foco das empresas, acima das estratégias e dos planejamentos. Os líderes têm que ser capazes de escutar, entender e envolver suas equipes. Para tanto, precisam se conhecer e conhecer muito bem o negócio e o mercado em que atuam.
Nessas condições, é possível enxergar oportunidades em meio a crises, vantagens em situações hostis e criar uma cultura organizacional que impacte o desempenho, que priorize o agir em vez do discurso.
Liderança implica correr riscos, ousar, fracassar, propor mudanças. Criar um bom ambiente de trabalho, com as pessoas certas nos lugares certos, e fazer o melhor uso das informações disponíveis. 

Crises geram oportunidades

Para o presidente do Grupo Positivo, liderar é enxergar oportunidades, tomar decisões e envolver a equipe.
O Grupo Positivo é um exemplo real de que as crises geram oportunidades de negócios. A empresa começou na área de ensino e expandiu para a fabricação de computadores, ao perceber que as escolas precisavam se equipar, e o mercado, há 25 anos, não dispunha de muitas alternativas. “No final dos anos 1980, 75% do mercado era ilegal e 25% importado, com preços inacessíveis às escolas”, contou Hélio Rotenberg, em sua apresentação no Fórum HSM Gestão e Liderança 2013.
Fábrica montada, produzindo entre 30 e 50 unidades por mês, veio a primeira crise, em menos de um ano. O presidente Fernando Collor, entre várias medidas econômicas, congelou as mensalidades escolares. “Era fechar ou buscar novos mercados. Optamos pela segunda alternativa e passamos a vender para o Governo.”
Quatro anos depois, quando as escolas voltaram a investir, a demanda não era apenas por equipamentos. Era necessário ensinar outras disciplinas, com o apoio da informática. “Montamos uma equipe multidisciplinar e começamos a desenvolver softwares”, lembrou, saltando alguns anos na história, para a nova crise. “Em 2002, o presidente Fernando Henrique proibiu qualquer aquisição que gerasse contas para o sucessor. Partimos para o varejo. Foi preciso trabalhar a marca Positivo em meio às grandes, entender o consumidor, diferenciar-se no mercado.”
O resultado é que há oito anos a Positivo Informática é líder no mercado brasileiro e, além de computadores, produz celulares, em quatro unidades fabris: Manaus (AM), Ilhéus (BA), Curitiba (PR) e Terra do Fogo, na Argentina.
Com essas pinceladas na história, Rotenberg reforçou as qualidades esperadas de um líder: ousar, ter conhecimento do negócio, tomar decisões –mesmo que erradas–, definir estratégias, comunicar-se de forma transparente, ser inovador, contratar as pessoas certas e, sobretudo, envolver a equipe. 

Cultura organizacional no desempenho

As empresas sabem o que é preciso fazer para alcançar bons resultados, mas não colocam em prática.
Jeffrey Pfeffer, professor de Comportamento Organizacional da Stanford Graduate School of Business, abriu sua palestra no Fórum HSM Gestão e Liderança 2013 afirmando que a cultura organizacional é importante para o desempenho da empresa e uma vantagem competitiva sustentável, porque é difícil de ser copiada, diferentemente das estratégias e dos produtos. “Os líderes devem focar nas pessoas, na sustentabilidade humana. Criar um bom ambiente de trabalho e torná-lo mais divertido.”
Segundo Pfeffer, o grande desafio das empresas é transformar o conhecimento em ação. “Há um grande descompasso entre o saber e o fazer”, disse, dando dicas de como iniciar o processo, que tem como base a comunicação transparente:

  • elabore uma lista de práticas e ações;
  • pergunte às pessoas em que medida elas acham que cada uma dessas práticas e ações relaciona-se com o desempenho organizacional ou individual;
  • pergunte às pessoas –e a si mesmo– em que medida elas acham que as práticas e ações estão sendo executadas.
Criar uma cultura organizacional que gere resultados práticos implica, também, derrubar alguns mitos. Um deles é acreditar que o problema da empresa se resume a custos. “O problema é de faturamento, receita. A empresa que oferece mais aos funcionários, clientes, lucra mais”, reforçou, exemplificando com a Southwest, empresa aérea que remunera melhor os empregados e é, consistentemente, a mais lucrativa.
Para ser eficaz, a cultura organizacional tem que ser focada nas pessoas e não em estratégias. Os empregados precisam ser valorizados e se sentirem importantes para o negócio. 

Líderes têm que promover mudanças

Para George Kohlrieser, a maioria das pessoas não é resistente à mudança. Elas resistem à dor da mudança e ao medo do novo.
“O líder de alta performance é aquele capaz de causar dor e a equipe agradecer.” Embora a afirmação sugira uma personalidade masoquista dos liderados, George Kohlrieser, professor de liderança e comportamento organizacional do IMD, na Suíça, e uma das maiores autoridades mundiais em liderança e resolução de conflitos, explica que o bom líder consegue enxergar os benefícios das situações hostis, torná-las desafios e envolver o time. “Ele corre riscos, não tem medo de fracassar, explora o novo e promove mudanças. Joga para ganhar, cria vínculos com as pessoas, inspira e torna-se o porto seguro delas”, disse, durante sua apresentação no segundo dia do Fórum HSM Gestão e Liderança 2013.
Segundo Kohlrieser, no geral, os líderes falham ao não criar afinidades com os liderados. “É preciso demonstrar interesse, preocupação, cuidar. Ajudar a superar as frustrações, mostrar o lado positivo das situações, descobrir e desenvolver talentos.”
O especialista concorda que não é uma tarefa simples e que antes de conhecer a equipe, o líder precisa se conhecer, descobrir o seu estilo: coercivo, precursor, visionário, afiliativo, democrático ou de coaching. Exceto pelos dois primeiros, todos têm um impacto geral positivo sobre as equipes.

Fonte: http://www.hsm.com.br


Nenhum comentário:

Postar um comentário