(Essa história está presente no volume 4 da coleção FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS)
Havia
um aluno muito agressivo e inquieto naquela escola. Ele perturbava a
classe e arrumava frequentes confusões com os colegas. Era insolente e
desacatava a todos. Repetia os mesmos erros com frequência. Parecia
incorrigível.
Os
professores não mais o suportavam. Cogitaram até mesmo de expulsá-lo do
colégio. Antes disso, porém, entrou em cena um professor que resolveu
investir naquele aluno. Todos achavam que era perda de tempo, afinal, o
jovem era um caso perdido.
Mesmo
não tendo apoio de seus colegas, o professor começou a conversar com
aquele jovem nos intervalos das aulas. No início era apenas um monólogo,
só o professor falava. Aos poucos, ele começou a envolver o aluno com
suas próprias histórias de vida e com suas brincadeiras. De modo
gradativo, professor e aluno construíram uma ponte entre seus mundos.
O
professor descobriu que o pai do rapaz era alcoólatra e espancava o
garoto e sua mãe. Compreendeu que o jovem, aparentemente insensível, já
tinha chorado muito e, agora, suas lágrimas pareciam ter secado.
Entendeu
que sua agressividade era uma reação desesperada de quem pedia ajuda.
Só que ninguém, até então, havia decifrado sua linguagem. Era mais fácil
julgá-lo do que entendê-lo.
O
sofrimento da mãe e a violência do pai produziram zonas de conflito na
memória do rapaz. Sua agressividade era um eco da violência que recebia.
Ele não era réu, era vítima. Seu mundo emocional não tinha cores. Não
lhe haviam dado o direito de brincar, de sorrir e de ver a vida com
confiança. Agora estava perdendo também o direito de estudar, de ter a
única chance de progredir.
Estava para ser expulso do colégio. Ao tomar consciência da real situação, o professor começou a conquistá-lo.
O jovem sentiu-se querido, apoiado e valorizado, pela primeira vez na vida. O professor passou a educar-lhe as emoções.
Ele
percebeu, logo nos primeiros dias, que por trás de cada aluno arredio,
de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afeto.
Em
poucas semanas todos estavam espantados com a mudança ocorrida. O rapaz
revoltado começou a demonstrar respeito pelos outros. Abandonou sua
agressividade e passou a ser afetivo. Cresceu e tornou-se um aluno
extraordinário. Tudo isso porque alguém não desistiu dele.
Professores
ou pais, todos queremos educar jovens dóceis e receptivos. Queremos ver
brotar diante de nossos olhos as sementes que semeamos. No entanto, são
os jovens que nos desapontam, que testam nossa qualidade de educadores.
São filhos complicados que testam a grandeza do amor dos pais. São os
alunos insuportáveis que testam a capacidade de humanismo dos mestres.
Pais
brilhantes e professores fascinantes não desistem dos jovens, mesmo que
eles causem frustração e não lhes deem o retorno imediatamente
esperado. Paciência é o segredo. A educação do afeto é a meta. Os alunos
que mais decepcionam hoje poderão ser aqueles que mais alegrias nos
trarão no futuro. Basta investir tempo e dedicação a eles. Pense nisso.
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