domingo, 6 de março de 2016

Alguns motivos para você não sonhar com o Vale do Silício (pelo menos por enquanto)

Entenda como pensar em outras alternativas para internacionalizar seus negócios pode ajudar na construção de uma empresa de sucesso a longo prazo.

Estagiário chegando de bicicleta na sede do Google.
Sonhar não custa nada, mas apostar em um sonho como o Vale do Silício sem o preparo necessário (na verdade, até mesmo com isso) pode sair muito caro e dificultar (ou até mesmo inviabilizar) o sucesso do seu negócio. Assistir a uma série como Silicon Valley e ouvir as histórias das grandes startups de tecnologia que começaram ali pode inspirar jovens empreendedores da área a tentarem a vida em São Francisco. Mas a verdade é bem mais complexa e dolorosa. E nós precisamos desconstruir o mito de que aquele solo sagrado é o paraíso do empreendedorismo para todo mundo.
No Café com ADM #2, programa exclusivo do Administradores Premium, o CEO do Administradores.com, Leandro Vieira, conversou com o empreendor Leo Uchôa, fundador da Cultivatech e que tem vasta experiência no mercado internacional. No bate papo, eles falaram sobre diversos assuntos e a internacionalização de negócios brasileiros foi uma das pautas.
Uchôa explica que a ideia de ir para os Estados Unidos não é ruim, mas precisa ser pensada como um objetivo para o futuro, quando o negócio e o empreendedor já estão mais maduros. Por quê? Vamos aos motivos listados por ele.

Saturação

Primeiramente, o Vale do Silício é uma região que abriga diversas empresas de tecnologia e inovação, a grande maioria buscando encontrar investidores para levar suas ideias a negócios de sucesso. Isso significa uma coisa: concorrência voraz. Conseguir um investimento por lá, conforme destaca Leo Uchôa, é muito difícil. Se as próprias empresas que se originam nos EUA encontram essa dificuldade, imagine o quanto os obstáculos se multiplicam quando se trata de levar um negócio do Brasil para lá. Isso nos leva ao próximo ponto: custo de vida.

Alto custo

São Francisco é uma cidade cara. Então, manter-se lá sem capital é o primeiro grande desafio. Recentemente, estourou nas redes sociais  e na mídia a história de uma ex-funcionária da Yelp, que escreveu uma carta aberta ao CEO da empresa no Medium. No texto, ela fala principalmente das grandes dificuldades de se manter com o salário que recebia em São Francisco. Segundo ela, todos os seus amigos e colegas de trabalho também estavam lutando contra a falta de dinheiro para viver ali. O próprio CEO ao qual ela se dirige reconheceu, em resposta ao caso, que o custo de vida na região é realmente muito alto.
Agora imagine você ter que arcar com sua manutenção em uma cidade de alto custo - que já seria muito difícil - e a da operação mínima de um negócio. Escritório, funcionários, internet, equipamentos de trabalho etc. Tudo isso custa caro para quem ganha em dólar, imagine para quem vai daqui em busca de internacionalização.

Disputa por talentos

Leo Uchôa lembra ainda que a concorrência do Vale pode influenciar também em outro aspecto. Se você não é programador ou desenvolvedor, terá que levar alguém consigo para essas tarefas. E então você precisa arcar com os custos desse profissional. Isso em si já é um grande desafio. Agora vamos supor que você está em São Francisco (com toda a dificuldade financeira), e seu programador é muito bom. De que o Vale do Silício está cheio? De grandes empresas de tecnologia, com capital para oferecer ao seu programador salários muito maiores do que o que você pode pagar. Será mesmo que esse profissional vai ficar na sua empresa simplesmente por amor à camisa, quando um Facebook, Uber ou outra empresa oferecer 10 vezes mais por mês? Dificilmente.

Mas não tire os EUA do seu radar...

O mercado americano não é um sonho impossível. Leo Uchôa explica apenas que você precisa ter duas coisas em mente:

1 - O Vale do Silício na deve ser seu objetivo inicial, mas deve estar entre suas possibilidades para uma fase mais madura de seu negócios;
2 - Considere outras regiões dos EUA que também têm potencial, são mais baratas e oferecem menor concorrência. Nova York é um bom exemplo, segundo Leo.

... e considere outros países

Que tal começar a internacionalização de seu negócio a partir de outros locais que não os EUA? Assista abaixo ao trecho do Café com ADM #2 em que Leo Uchôa detalha melhor as opções de países por onde empresas brasileiras podem iniciar sua expansão:
Fonte: Marcela Agra, Administradores.com

 

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