Os recursos humanos hoje representam uma enorme dor de cabeça para o
mercado. Nunca foi tão difícil contratar mão-de-obra para as empresas
independentemente da função. Se a mais simples exige empenho e
responsabilidade, a mais complexa exige, além disso, qualificação e entrega.
São tantos os fatores externos que contribuem para essa dificuldade que
até fica difícil elencá-los. Mas, sem dúvidas, a primeira questão está voltada
à cultura de parte dos brasileiros em considerar o trabalho algo ligado ao
desprazer e sacrifício e, na verdade, ele se torna isso quando não se entende
bem a relação de necessidade do trabalho com o que queremos alcançar em nossas
vidas.
Outro fator em destaque está ligado ao que se chama de “encaixe de
função”: as empresas, por exemplo, exigem graduação para funções menos
complexas, como auxiliares, porém quem buscou uma graduação não a buscou para
ser auxiliar; já para funções que exigem ainda mais qualificações vem a questão
da remuneração; e ainda para aquelas funções da base da pirâmide vem a
rotatividade e a migração para outras funções através da qualificação. Em
resumo, está cada vez mais difícil preencher a base da pirâmide, pois as
pessoas estão buscando uma melhor qualificação e fica difícil também preencher
o topo devido aos baixos salários se consideradas as exigências de
qualificações. Há a busca então, pelo meio da pirâmide, ou por não querer estar
na base ou por não poder estar no topo.
Diante disso, e deixando outros fatores importantes de fora para não
complicar muito, as empresas partiram para a terceirização de suas seleções de
pessoal. A grande maioria pensou apenas nos custos e deixou em segundo plano
questões importantes sobre a individualização necessária aos controles de
processos. Como assim? Está ficando para trás aquela coisa de controlar pessoas
e se busca, cada vez mais, controlar processos. Só que para isso se faz
necessário conhecer mais as pessoas e, embora as empresas de RH sejam
capacitadas para selecionar tais pessoas, elas não sabem muito sobre os
processos de seus clientes por não vivê-los e acabam correndo riscos de
encaixar pessoas na função errada. E aí surge a pergunta: e quando essa pessoa
estiver contratada e dentro do processo da empresa, ela não se destaca e
resolve esse ponto? Sim, há grandes possibilidades para isso… “se ela for
contratada”.
Fulanésio recebeu uma ligação de uma empresa de RH que o chamara para um
processo de seleção para uma empresa que não pôde ser revelada naquele momento.
Além disso, ele estava no seu trabalho atual e não poderia se ausentar devido
sua intransferível responsabilidade naquele momento e sugeriu outro horário em
que pudesse participar do processo. Foi dispensado naquele momento mesmo por
não ser mais interessante ao processo de seleção. Porém, a empresa na qual
poderia trabalhar não avaliaria Fulanésio com um olhar diferente? Não
enxergaria nele a responsabilidade e compromisso necessário para a função pretendida?
É, parece ainda estarmos longe do caminho do controle de processos enquanto
valorizarmos questões distantes de propósitos.
Claro que a busca por especializações faz parte do sucesso dos
processos, e as empresas de recrutamento estão habilitadas para a melhor
escolha, mas nem sempre é assim. Certa vez, um fato ocorrido retratou bem esse
perigo, onde um candidato, após sair da sala de entrevistas de uma empresa de
RH, não sendo percebida a sua entrada num banheiro pela entrevistadora que
comentou no corredor, de forma absolutamente antiética, que o mesmo não
serviria por ser muito parecido com um ex-namorado pelo qual alimentava um ódio
extremo.
Enquanto prezarmos pela aparência física mais do que conseguirmos captar
sobre competência, estaremos longe do ideal para uma função. E enquanto as
empresas se fixarem na questão de que seu pessoal é seu maior custo e não o
melhor caminho para o seu sucesso, estarão fadadas à obsolescência de suas
ideias e de seus resultados. E nada tem a ver com a competência ou não da
terceirização de processos de seleção, pois temos empresas realmente éticas e
especializadas no mercado, mas não gostaria que escolhessem uma “noiva” para
mim. Minhas decisões estão baseadas em minhas necessidades. E se uma empresa
enxerga seu pessoal como o melhor investimento, não tem porque transferir a
responsabilidade de escolhê-lo.
Fonte: Marcos
Aurélio da Costa Foi Coordenador de Logística na Têxtil em www.logisticadescomplicada.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário