Não
havia no povoado pior ofício do que ser “porteiro do bordel”. Mas que
outra coisa poderia fazer aquele homem? O fato é que nunca tinha
aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou
ofício.
(Essa história de autoria desconhecida está presente no volume 8 da coleção FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS)
Um dia, entrou como gerente do bordel um jovem cheio de ideias,
criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento. Fez
mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.
Ao porteiro disse:
- A partir de hoje, o Senhor, além de ficar na portaria, vai preparar
um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e
seus comentários e reclamações sobre os serviços.
- Eu adoraria fazer isso, Senhor - balbuciou - mas eu não sei ler nem escrever!
- Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.
- Mas Senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.
- Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo Senhor. Vamos
dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu
sinto muito e que tenha sorte.
Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como
se o mundo desmoronasse. Que fazer? Lembrou que no prostíbulo, quando
quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.
Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.
Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal
conservado.
Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas
completa. Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar
dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a
compra.
E assim o fez. No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:
- Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.
- Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar... já que....
- Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.
- Se é assim, está bom.
Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:
- Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?
- Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias mula de viagem.
- Façamos um trato. - disse o vizinho - Eu pagarei os dias de ida e
volta mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento.
Que lhe parece?
Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias... Aceitou.
Voltou a montar na sua mula e viajou. No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.
- Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo. Eu necessito de
algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem,
mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não
disponho de tempo para viajar para fazer compras. Que lhe parece?
O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um
alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi
embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: 'não disponho de
tempo para viajar para fazer compras'.
Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse
para trazer as ferramentas. Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais
de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido.
De fato, poderia economizar algum tempo em viagens. A notícia começou a
se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viajem, faziam
encomendas.
Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e
trazia o que precisavam seus clientes. Com o tempo, alugou um galpão
para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e
um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do
povoado.
Todos estavam contentes e compravam dele. Já não viajava, pois os
fabricantes lhe enviavam seus pedidos. Ele era um bom cliente. Com o
tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de
ferragens, do que gastar dias em viagens.
Um dia ele se lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e
pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos. E logo, por
que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc..
E após foram os pregos e os parafusos... Em poucos anos, nosso amigo se
transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de
ferramentas.
Um dia decidiu doar uma escola ao povoado. Nela, além de ler e
escrever, as crianças aprenderiam algum ofício. No dia da inauguração da
escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e lhe
disse:
- É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a
honra de colocar a sua assinatura na primeira página do Livro de atas
desta nova escola.
- A honra seria minha. - disse o homem - Seria a coisa que mais me
daria prazer, assinar o Livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou
analfabeto.
- O Senhor?!?! - disse o prefeito sem acreditar - O Senhor construiu um
império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu
pergunto:
- O que teria sido do Senhor se soubesse ler e escrever?
- Isso eu posso responder - disse o homem com calma. Se eu soubesse ler
e escrever... ainda seria o PORTEIRO DO BORDEL!!!
Geralmente as mudanças são vistas como adversidades. As adversidades
podem ser bênçãos. As crises estão cheias de oportunidades. Se alguém
lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as
janelas. Lembre-se da sabedoria da água: 'A água nunca discute com seus
obstáculos, mas os contorna’.
Que a sua vida seja cheia de vitórias, não importa se são grandes ou pequenas, o importante é comemorar cada uma delas.
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