Ele
era um homem forte que estava enfrentando um inimigo muito mais forte.
Sua jovem esposa ficou gravemente enferma e faleceu, deixando o
homenzarrão sozinho e uma filha loirinha, de olhos grandes, que ainda
não havia completado cinco anos.
A
cerimônia fúnebre na pequena capela da cidade foi simples e carregada
de dor. Após o sepultamento no pequeno cemitério, os vizinhos do homem
reuniram-se ao redor dele.
– Por favor, venha com sua filha passar alguns dias conosco – disse alguém – vocês não devem voltar para casa ainda.
–
Obrigado, meus amigos, pela oferta generosa. Mas nós precisamos voltar
para casa. Minha filhinha e eu precisamos enfrentar esta dor.
Assim,
o homenzarrão e a menina voltaram para casa, que agora parecia vazia e
sem vida. O pai trouxe a cama da filha para o seu quarto, para que eles
pudessem passar juntos a escuridão da primeira noite.
Os
minutos passavam lentamente, e a menina estava tendo grande dificuldade
para dormir... a mesma de seu pai. O que pode afligir mais o coração de
um pai do que ver uma criança soluçando de saudades da mãe que nunca
mais vai voltar?
A
menina continuou a chorar noite adentro. O homem esticou o braço para
tentar consolá-la da melhor maneira possível. Após alguns instantes, a
menina conseguiu parar de chorar, mas apenas por dó do pai.
Pensando que a filha já estava dormindo, o pai olhou para cima e orou, com voz entrecortada:
– Eu confio em Ti, ó Pai, mas... a noite está escura demais!
Ao ouvir a oração do pai, a menina começou a chorar novamente.
– Eu pensei que você estivesse dormindo, querida – ele disse.
–
Eu tentei, papai. Estava triste por você. Eu tentei de verdade. Mas não
consegui dormir. Papai, você já viu uma noite tão escura assim? Por
que, papai? Eu não posso ver você. Está escuro demais.
Em seguida, por entre as lágrimas, a menina disse baixinho:
–
Mas você me ama mesmo quando está escuro, não é verdade, papai? Você me
ama mesmo quando eu não posso enxergar você, não é verdade papai?
Como
resposta, o homem pegou a filha da cama com suas mãos enormes,
colocou-a de encontro ao peito e segurou-a carinhosamente até ela
dormir.
Quando ela se aquietou, o homem voltou a orar. Assumiu para si todo o choro da filha e o transferiu para Deus.
– Pai,
a noite está escura demais. Não posso te enxergar. Mas tu me amas,
mesmo quando está escuro e eu não posso te enxergar, não é verdade, Pai?
Naquelas
horas tão tenebrosas, o Senhor o tocou dando-lhe novas forças para
prosseguir. Ele sabia que Deus continuaria a amá-lo, mesmo no escuro.
(Esta história de Ron Mehl está no volume 13 da coleção FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS, de Orlando Nussi)
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