Ficar preso à rotina, sem buscar novas referências,
é o que mais aniquila o seu potencial criativo, segundo os especialistas consultados
por EXAME.com
E, se muitos mitos ainda rondam o tema
é certo também que há atitudes que neutralizam ou até mesmo aniquilam qualquer
capacidade criativa no ambiente de trabalho. Veja quais são elas, na opinião de
dois especialistas consultados:
Ficar preso à rotina
“É muito
difícil ter uma vida totalmente igual e gerar ideias ao mesmo tempo”, diz
Conrado Schlochauer, sócio-diretor do LAB SSJ, consultoria de educação
corporativa. Buscar novas referências, conhecer pessoas novas, visitar lugares
diferentes estimulam a criatividade, daí o problema de ficar preso ao hábito.
“A rotina
é importante para adquirir a excelência, um jogador de basquete precisa treinar
várias vezes até aprender uma jogada, mas, se ele faz sempre os mesmos lances,
vai ficar previsível”, explica Silvio Celestino, da Alliance Coaching.Uma
pessoa que faz da sua rotina o seu modo de vida torna-se anacrônica, na opinião
de Celestino. “É alguém que vive no passado”, diz.
A busca
de referências é a regra de ouro para os criativos. “Falar para abrir a cabeça
pode parecer clichês, mas funciona”, diz Schlochauer.
Ter medo de errar
Se a
educação escolar sempre reforçou a ideia de que existe apenas uma resposta
certa, basta deixar os bancos da sala de aula para perceber que não existe
verdade absoluta. “A vida não é assim. Não existe um único caminho correto”,
lembra Schlochauer.
O medo de
errar, diz ele, é péssimo na medida em que faz você convergir para uma solução
rápida demais. “Sem dedicar tempo para buscar alternativas”, explica o
sócio-diretor do LAB SSJ.
Geralmente
esse pavor do erro acomete os mais perfeccionistas, diz Celestino. “São aqueles
profissionais que já querem fazer certo logo da primeira vez, e, por isso, só
fazem aquilo do qual têm certeza”, diz.
O risco é
fazer pouco, não sair do protocolo. “É um medo paralisante e uma limitação
enorme para a criatividade”, explica Celestino.
Sofrer da “síndrome do apego à primeira ideia”
Você se
propõe a pensar em novas ideias e trazer um pouco de inovação para o
expediente. Mas, assim que aparece a primeira, você para e já começa a traçar
um plano de implementação. Para Schlochauer, isto é um erro. “Para
ter boas ideias é preciso listar muitas ideias”, diz.
Ele se
apoia também em uma das premissas do método do brainstorming, inventado pelo
publicitário Alex Osborn, no fim da década de 1940. “Uma das regras oficiais é
que a quantidade de ideias é mais importante do que a qualidade”, diz o
especialista.
Celestino
vai além. Para ele, além do apego à primeira ideia, ficar restrito ao primeiro
conhecimento adquirido sobre determinado assunto também prejudica a capacidade
criativa. “É preciso saber que há linhas pensamento e o ideal é conhecer o
máximo possível destas linhas para só então decidir qual é mais adequada para
aquele momento”, diz. De acordo com ele, é frequente a estagnação na primeira
ideia ou no primeiro conhecimento. “As pessoas acreditam que aquilo é a única
verdade”, diz.
Manter o foco na realização
A demanda
surge você executa, novas tarefas aparecem e você realiza. “É o ‘fazedor’,
aquele que pega a tarefa do jeito que ela vem e já começa a estruturar, sem
pensar em alternativa”, descreve Schlochauer.
Isso
acontece porque muitas vezes as pessoas não acham que criatividade tenha a ver
com elas, ou por não serem criativas ou porque não estão alocadas na área de
criação de uma empresa. “Isso é um erro. Criatividade tem relação direta
com a capacidade de resolver problemas, ou seja, buscar alternativas para solucionar
questões”, explica.
“O risco
de manter o pensamento focado na execução é que você só responde à pergunta 'o
que fazer'. E não sabe qual o propósito daquilo”, diz Celestino.
Ficar à espera da ideia genial
Ao
decidir apostar na sua capacidade criativa, o pior que você pode fazer é
censurar ideias só porque você não as considera geniais. “É mais
importante ter boas e constantes ideias do que ficar esperando pela ideia de
gênio”, diz Schlochauer.
A
viabilidade prática de uma ideia é, muitas vezes, o quesito mais importante do
processo criativo. “É importante pensar em qual a melhor ideia possível em um
prazo determinado”, diz Celestino.
Para ele,
ser criativo dentro de uma empresa é ser criativo dentro das limitações
existentes. “Se a ideia genial não será implementada dentro do prazo, parta
para a segunda melhor ideia e, se não der, aposte na terceira melhor ideia”,
recomenda Celestino.
Nunca ter tempo
A
correria do dia a dia pode ser uma das maiores inimigas da sua capacidade
criativa. “A busca pela eficiência é fundamental, mas é também necessário
deixar espaço para as boas ideias”, diz Schlochauer. O tempo de reflexão é
precioso para quem quer ter boas ideias. “Essa coisa frenética não deixa espaço
para criação”, explica.
“É
preciso ser uma pessoa de ação, mas entre uma ação e outra precisa haver
reflexão”, concorda Celestino. O problema do tempo enxuto para
desenvolver projetos no trabalho é justamente esse: agir sem pensar. “Quando
você não reflete, não acha soluções novas, isso acaba destruindo o potencial
criativo”, diz Celestino.
Fonte: http://exame.abril.com.br/carreira
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