8 Reflexões sobre Liderança e Estratégia
Peter
Drucker, Tom Peters, Ken Blanchard, Gary Hamel, Stephen Covey, Kenichi
Ohmae, Peter Senge e Rosabeth Moss Kanter. A nata da gestão reunida no
Seminário Mundial de Estratégia e Liderança.
A liderança partilhada num mundo em
mudança, em que as empresas devem ser revolucionárias, foi a tónica das
intervenções. Ouvimos as suas lições e resumimos o essencial.
A liderança no futuro será democrática,
exercida de forma partilhada em todos os níveis da organização. Só assim
a empresa poderá, com sucesso, revolucionar a sua indústria criando o
futuro.
Esta a tónica das intervenções de oito
grandes pensadores que discorreram sobre estratégia, liderança e gestão
no Seminário Mundial de Estratégia e Liderança, organizado em Portugal
pela Tracy International.
Através de vídeo-conferência transmitida
para mais 40 países a partir dos Estados Unidos, os gestores
portugueses puderam também ouvir os ensinamentos dos nomes mais sonantes
do mundo da gestão.
Alguns revelaram-se verdadeiros
entretainers, como Ken Blanchard ou Tom Peters. Este último provocava
gargalhadas na assistência portuguesa, mas nos Estados Unidos os
presidentes de empresas presentes remexiam-se na cadeira, incomodados.
Outros primaram mais pela seriedade, como Peter Drucker ou Peter Senge.
Do conjunto das suas visões fica um
registo ímpar do que pensa a nata do mundo da gestão. Resumimos o
principal da intervenção destes guias espirituais das empresas.
Gary Hamel
"Neste cenário de mudança, criar uma
estratégia é como ser cartógrafo numa zona de sismos. Quando começa a
ter uma ideia do terreno algo destrói tudo e as recompensas vão para
quem provocou o tremor de terra. Para terem sucesso, as empresas devem
criar o seu próprio mapa."
A estratégia continua a ser revolução.
Estamos à beira de uma mudança fundamental: de uma economia industrial
para uma economia de conhecimento. Nesta nova economia muita riqueza irá
ser criada.
Mas também muita riqueza irá ser destruída, e isso acontece às empresas que ficam para trás na curva da mudança.
Que empresas e indivíduos vão criar o
futuro e essas novas riquezas? Quais são os grandes desafios que os
líderes terão de enfrentar?
O primeiro desafio é que o sucesso nunca
foi uma condição tão ténue quanto o é hoje. O importante é assegurar
que a empresa nunca tenha de fazer um turnaround, um downsizing ou
contratar um Al Dunlap.
As empresas funcionam de acordo com uma
lei da entropia, similar à da termodinâmica, têm uma energia, uma paixão
que esmorece com o tempo. Há que ser inimigo da entropia.
O segundo desafio é a mudança. Como
costuma dizer um amigo meu: "Falamos de produtos que ainda estão a
evoluir, para distribuir a um mercado que ainda está a emergir, por uma
tecnologia que muda diariamente."
Hoje a empresa terá de ser capaz de se
reinventar não a cada geração, mas a cada três ou quatro anos. A
economia não é só global, é instantânea.
Neste cenário, criar uma estratégia é
como ser cartógrafo numa zona de sismos. Assim que começa a ter uma
ideia do terreno, algo destrói tudo e as recompensas não vão para o
cartógrafo, mas para as pessoas que provocaram o tremor de terra.
É difícil ter uma perspectiva do futuro
sem um mapa ou quando o mapa de hoje não tem valor amanhã. As empresas
de sucesso criam o seu próprio mapa.
Há três tipos de empresas: as que
definem as regras do jogo no mercado (rule maker), como a Estée Lauder,
por exemplo, que tem uma posição muito mais confortável do que a
Shiseido, que ambiciona o seu lugar (rule taker).
O terceiro tipo de empresas são as que
quebram as regras do jogo (rule breaker), as empresas revolucionárias,
como a Body Shop. Enquanto as rule makers e as rule takers falam de
transformação organizacional, as rule breakers querem ser as arquitectas
da transformação da indústria.
E quando as outras acordarem, terão uma
organização que não está afinada com as novas necessidades da indústria,
ter-se-ão desenvolvido, mas com as competências erradas.
Há empresas que conseguem ser revolucionárias, reinventando as suas indústrias e regenerando as suas estratégias-chave.
No fundo têm uma capacidade crítica de
estabelecer a inovação, não apenas de produtos ou serviços, mas inovação
estratégica, isto é, a capacidade de mudar profundamente os modelos de
gestão e de negócio actuais para criar novas formas de servir os
clientes com desvantagem para os concorrentes e que cria riqueza para
todos.
Foi, por exemplo, o que fez a Swatch. Há
uma década assumíamos que os donos do mercado de relógios baratos eram
os Japoneses, até que Nicolas Hayek mudou profundamente as regras do
jogo, lançando um relógio suíço de plástico e de baixo custo como um
acessório de moda, com duas colecções por ano.
E com isso salvou a indústria relojoeira suíça.
A Swatch ilustra um outro aspecto: para
ser um revolucionário da indústria, frequentemente tem de recorrer a
entidades fora da sua indústria que têm as competências de que carece.
Os suíços nada sabiam de moda, tiveram
de aprender com um centro de design em Milão; não eram proficientes no
uso do plástico e por isso recorreram à Lego dinamarquesa.
Há uma cadeia lógica imutável: se quer
criar nova riqueza tem de ser capaz de revolucionar a indústria. Para
isso tem de ter na sua empresa a capacidade de inovação estratégica que
advém da compreensão de três aspectos fundamentais:
- Desafiar as ortodoxias. Todos nós fomos geneticamente programados para pensar na nossa indústria de uma forma determinada.
É então preciso identificar o código
genético das empresas, as convenções reinantes na sua indústria. Quer
saiba quer não, está numa corrida para ver se descobre essas ortodoxias
antes de os revolucionários o fazerem.
Se, do dia para a noite, trocasse os gestores das companhias aéreas norte-americanas, nada mudaria no negócio.
Porque a diversidade é zero. A Virgin, a British Airways ou a Southwest, essas sim, revolucionaram profundamente as regras;
- Descontinuidade. Os revolucionários da
indústria descobrem as coisas que estão a mudar e actuam por forma a
liderar essa mudança. Todos gostaríamos de ter uma bola de cristal, mas
infelizmente sabemos que é impossível encontrá-la. As previsões e a
construção de cenários não nos ajudam muito.
A Shell, nos seus cenários, não previu
que hoje na Grã-Bretanha os supermercados vendem mais gasolina do que a
própria empresa. Como ninguém pode prever o futuro, o objectivo é
imaginar um futuro que se pode fazer acontecer.
Os revolucionários da indústria não actuam sobre o que irá acontecer, mas sobre o que está a acontecer;
- Competências-chave. Frequentemente a
definição básica que damos da nossa empresa está ligada ao que ela faz
ou vende, não ao que ela é ou aos conhecimentos que tem.
Por exemplo, se a Disney se tivesse
definido como uma biblioteca de filmes de animação teria perdido imensos
negócios e oportunidades que lhe advêm do profundo conhecimento de quem
são, quais os conhecimentos que têm e onde podem esses conhecimentos
conduzir a empresa.
A boa notícia é que há revolucionários
em todas as empresas. O presidente executivo de uma grande empresa
norte-americana disse um dia que "nunca encontrará uma mudança que seja
aceite pela empresa".
Está totalmente enganado. Em todas as
empresas e em todos os níveis há pessoas sedentas de mudança, mais do
que no topo da hierarquia. Silicon Valley é um campo de refugiados de
revolucionários da indústria que trabalhavam para grandes empresas onde
não eram ouvidos.
É um disparate dizer-se que a mudança deve partir do topo.
Nunca os monarcas instituíram uma
república. É também frequente sustentar-se que as pessoas não gostam da
mudança. Quando a mudança é boa, as pessoas querem-na.
Acontece é que usam o termo "mudança"
para encapotar coisas desagradáveis que vão acontecer às pessoas. Claro
que resistem à mudança se o preço é, desproporcionalmente, pago pelos
que estão na base da organização.
Cada empregado tem direito a ter uma palavra a dizer acerca da estratégia. Nem todas serão inovadoras e terão impacte.
Mas a alternativa de cinco iluminados que decide no topo e comunica para baixo na organização não é mais válida.
Não se trata de formulação estratégica
elaborada no topo da organização, mas de inovação estratégica elaborada
por toda a organização.
Stephen Covey
"Os líderes sacrificam-se e operam de
acordo com certos princípios fundamentais para concretizar a sua visão.
Estão dispostos a sacrificar até a vida. Como disse um austríaco
encarcerado nos campos de concentração nazis: ‘Suporto qualquer o quê se
tenho um porquê."
Resolver os dilemas com sacrifício.
Hoje há três constantes: a mudança, os princípios (as leis naturais e
universais, que são intemporais, auto-evidentes e duradouras) e a
escolha (o poder que temos em nós de lidar com as outras duas
constantes, de usar a imaginação).
Estamos perante vários dilemas. O
primeiro é um dilema organizacional: os negócios são dirigidos pelas
leis económicas do mercado e as empresas pela cultura do local de
trabalho.
Outro dilema é o dilema de gestão: os gestores querem mais por menos e os empregados querem mais por menos.
Qual a causa crónica destes dilemas? Será um problema estrutural? Não, sabemos que há muitas excepções.
Nelas parece haver um denominador comum
que cria harmonia. Pode exercer-se o poder de escolha para adaptar os
princípios (a segunda constante), para lidar com a primeira constante, a
mudança. Como se pode fazer isto?
Sem poder formal, Gandhi libertou 350
milhões de indianos. Nas pessoas que têm esse poder há um elemento
comum: sacrificam-se e operam de acordo com certos princípios
fundamentais para concretizar a sua visão.
Estão dispostas a sacrificar a sua vida (Gandhi foi assassinado), a sua riqueza, a sua honra em nome dela.
O verdadeiro sucesso vem de dentro. A
vida das pessoas tem como sentido um objectivo: que princípios
respeitar? A princesa Diana sacrificou a realeza pela autenticidade.
E um psicólogo austríaco encarcerado nos campos de concentração nazis disse: "Suporto qualquer o quê se tenho um porquê."
Há um momento na vida em que nos questionamos: "Como é que com a minha vida posso fazer uma diferença?"
Se conseguirmos descobrir isso e juntar numa base mundial, podemos lidar com esses dilemas.
Mas isso envolve ir mais para além do
dilema pessoal: as pessoas querem paz de espírito e boas relações
interpessoais, mas também manter os seus hábitos e estilo de vida. Uma
solução é ganhar uma vitória privada com sacrifício: abdicando de algo
menor em troca de algo mais elevado, uma causa maior.
Fomos educados a compararmo-nos com
outros, a ver sempre quem é melhor, quem ganha. Gradualmente,
desenvolvemos uma entidade baseada nessa comparação sistemática que
conduz a nossa vida.
Fazemos de tudo uma competição em que um ganha e outro perde. "Se ele é reconhecido eu não sou."
Outra abordagem é a da abundância em que
todos podem ganhar ou a vitória de um não ser um bem raro que implica a
perca de outro.
A chave para transcender a abordagem da
raridade do sucesso reside em descobrir o caminho que é excitante, que
dá valor e sentido à sua vida.
É uma vitória pessoal. Quanto mais segurança isso lhe dá, menos se sente ameaçado pelos outros.
Há ainda um dilema interpessoal: as
relações interpessoais são construídas com base na confiança. E os
indivíduos pensam mais no eu que no nós. A solução é sacrificar o eu
pelo nós.
Os quatro dilemas representam os quatro papéis do líder, que para os resolver deve:
- Ganhar a vitória pessoal, sacrificando o que é importante na vida pessoal, o eu;
- Focar-se no princípio da construção de
confiança e sacrificar o eu pelo nós. Para isso há que tentar
compreender as pessoas, manter as promessas, ser honesto, gentil, leal
para com os ausentes, clarificar as expectativas e saber pedir
desculpa;
- Levar o mercado a todos na empresa,
usando avaliações de 360º, o que requer um sacrifício, o de ser julgado
por todos na organização;
- Fazer a sobreposição da missão dos gestores com a missão dos empregados.
Criar o nosso futuro não é esperar que
as coisas aconteçam, é reiventar um puzzle em que falta uma peça, a
liderança baseada nos princípios que constrói confiança, o elemento que
falta nas organizações.
Rosabeth Moss Kanter
"A mudança é uma tarefa árdua e, no
princípio, tudo parece um fracasso. Mas, se desistir quando os problemas
se acumulam e os recursos, energia e tempo começam a escassear, então,
sim, será mesmo um fracasso. O líder da mudança deve ser persistente. "
As sete qualidades de um líder. Os negócios são a última monarquia, em que os reis estão muito cientes do seu poder e não executam nada.
As pessoas que teoricamente têm o poder não conseguem liderar a mudança se o não partilharem com a organização.
Mas diariamente os líderes enfrentam a
dificuldade de conseguir levar as pessoas a fazerem o que consideram que
deve ser feito.
Para que a organização acompanhe a mudança, os líderes devem dominar sete capacidades essenciais:
- Olhar para além das suas fronteiras
para descobrir o que de diferente pode ser feito. Demasiadas
organizações avaliam-se por comparação com o seu desempenho no passado
ou com o desempenho actual da concorrência.
Os líderes da mudança estão antes na
senda de um padrão de excelência. Nas suas empresas há uma insatisfação
permanente que é o motor da procura de melhores formas de fazer as
coisas, melhorando o fosso entre o que fazem e o que poderiam fazer;
- Desafiar as assunções. Os novos
líderes da mudança procuram descobrir novas vias. O seu pensamento é
como um caleidoscópio: juntam os mesmos fragmentos de forma diferente
para dar origem a novos padrões, a algo inovador.
Foi o que fez Fred Smith ao lançar a
Federal Express; ou a Intel, que inovou também no marketing, conseguindo
fazer com que um componente (o processador) seja mais importante do que
o próprio computador, com a campanha "Intel inside";
- Visão. Martin Luther King, um bom
exemplo de liderança, apregoava: "Eu tenho um sonho", não dizia: "Tenho
algumas ideias, podemos formar um comité, estudá-las e ver se resulta."
Moisés conduziu o seu povo pelo deserto durante 40 anos porque tinha uma
visão, uma terra prometida para lhes oferecer.
A visão ajuda a ultrapassar as dificuldades e dá um retrato geral de onde a organização quer estar no futuro;
- Reunir aliados. A importância de
formar uma coligação de apoiantes é óbvia e confirmada pelas pesquisas:
as organizações que implementam as ideias mais rapidamente são as que
envolvem todas as entidades que têm interesse na empresa (empregados,
clientes, fornecedores, accionistas) o mais cedo possível.
Mas este é também um dos aspectos mais negligenciados pelos líderes;
- Criar uma equipa. O papel do líder é apoiar a equipa de entusiastas, sendo um fiscal de linha e não um treinador.
Deve lutar junto do resto da organização
para conseguir os recursos - espaço, informação e recursos materiais -
para que a equipa possa desenvolver o seu trabalho;
- Persistir e insistir. A mudança é uma
tarefa árdua e, no princípio, tudo parece um fracasso. Mas se desistir
quando os problemas se acumulam e os recursos, energia e tempo começam a
escassear, então será mesmo um fracasso.
Se persistir será um sucesso.
A Philips, por exemplo, desenvolveu o
compact disc antes da Sony, mas desistiu desse produto precocemente. E
quem ganhou com isso foi a Sony.
Nesta fase, a coligação de apoiantes,
perseverante, pode desempenhar um papel importante. É nesta altura que
os críticos actuam - até agora eles acalentavam a esperança de que a
ideia não passasse de palavras;
- Partilhar os méritos. Mesmo que a
ideia inicial fosse sua, o líder da mudança reparte os créditos. As
pessoas precisam de saber que são reconhecidas.
Kenichi Ohmae
"A liderança partilhada é uma regra nas
histórias japonesas de sucesso empresarial. Konosuke Matsushita, que era
orientado para o produto, e Arataro Takahasi, mais vocacionado para a
gestão, trabalharam em parceria durante 30 anos. Formavam a equipa
perfeita."
Os líderes são o produto das circunstâncias.
O estilo de liderança varia de acordo com o tempo, o lugar e as
circunstâncias (TPO: time, place, ocasion). Durante o meu trabalho de
consultor junto dos grandes líderes japoneses notei vários estilos de
liderança.
Konosuke Matsushita, da Panasonic, era um líder atento. Caracterizava-se por um estilo diferente de todos os que conheço.
Ouvia as pessoas, mas sabia decidir.
Quando escolhia aqueles com quem trabalhava, fazia-o à sua imagem. "Se
cometer um erro eu próprio também o teria cometido", pensava.
Mahathir é movido por uma visão. Tem um
sonho a que está colado e de que fala em todas as oportunidades que lhe
aparecem. A sua visão é o multimédia.
Tateishi, da Omron, é um descobridor de
novos caminhos. Foi o primeiro a ter ATM (automated teller machine,
vulgarmente conhecidas como máquinas Multibanco).
Tudo o que flui é para ele uma oportunidade: do trânsito ao dinheiro, passando pelos passageiros.
T. Doko (IHI, Toshiba) era um exemplo
pela prática. Mostrava como fazer as coisas, como ele próprio era capaz
de as fazer, desde reduzir custos a trabalhar arduamente. Depois dava
liberdade aos colaboradores. Se eles fracassavam, deixava-os tentar de
novo.
Há variáveis que se mantêm estáveis: a liderança partilhada, o líder enquanto timoneiro e fazer mais e melhor.
Mas há também importantes mudanças de
direcção: para a partilha de valor, o líder enquanto piloto da
organização e as mudanças rápidas e atempadas de direcção.
A comunicação é fundamental para o
trabalho de equipa. O líder deve com ela partilhar a missão e os
objectivos, os resultados e as recompensas. Para que a química da equipa
funcione deve ter o mix certo de capacidades.
A liderança partilhada é uma regra nas
histórias de sucesso japonesas. Konosuke Matsushita, que era mais
orientado para o produto e os seus aspectos tecnológicos, trabalhou
durante 30 anos em parceria com Takahasi, mais vocacionado para a
gestão.
Juntos formavam uma equipa perfeita.
Honda e Fujisawa deixaram de assumir o comando da empresa no mesmo dia
porque sabiam que a sua força estava na actuação conjunta - a não ser
assim, Honda um apaixonado pelo produto, teria, pela primeira vez, de
assinar um papel e Fujisawa provavelmente não saberia desenvolver um
produto.
Na Sony, Akio Morita era o homem do
marketing, que atravessou o Pacífico 40 vezes, e Ibuka, o seu sócio que
nunca saiu do Japão, o entusiasta da tecnologia.
Peter Drucker
"Em crise não há liderança partilhada.
Quando o barco se está a afundar o capitão não pode convocar uma reunião
para ouvir as pessoas. Tem de dar ordens. Esse o segredo da liderança
partilhada: saber em que situações agir como chefe e em que situações
actuar como parceiro."
A tarefa do líder é desenvolver líderes. Todas as organizações precisam de líderes, mas muitas delas negligenciam o seu desenvolvimento.
Discuti com o líder de uma empresa
japonesa, que morreu na década de 80 e com quem trabalhei durante 30
anos, qual era o seu negócio. Ele não disse que eram instrumentos de
precisão de alta tecnologia, respondeu: "Desenvolver líderes."
Preocupava-se com os jovens e passava
muito tempo a descobrir quais os seus pontos fortes, para lhes atribuir
funções onde essas capacidades pudessem produzir resultados, em
trabalhos desafiantes onde pudessem aprender e desenvolver-se. Induzia
neles o sentido de que esperava que todos os jovens fizessem da sua vida
pessoal e profissional uma aprendizagem contínua de si próprios.
Registava as suas expectativas e alguns meses depois dava-lhes feedback dos resultados entretanto alcançados.
Indagava sempre: "Onde é que esta pessoa
pertence?" E atribuía-lhes enormes responsabilidades. Em meados dos
anos 60, quando essa empresa era de média dimensão, escolheu um
indivíduo para comandar os negócios na Europa.
Ele dera provas no domínio técnico, mas não falava uma palavra de outra língua que não o japonês.
A mim parecia-me um enorme risco nomear
essa pessoa, mas ele respondeu: "Não estou a arriscar, estou a pô-la
onde ela pertence." Ele estava certo. Em poucos anos a Europa tornou-se a
origem de 40% das vendas da empresa (superior às vendas no mercado
doméstico, o japonês), no valor de 180 milhões de contos.
Hoje é o presidente executivo responsável pela região europeia.
Costumava enfatizar que a
responsabilidade última era dele, enquanto presidente executivo, e que
dela não podia abdicar. Se as coisas corriam bem deixava as pessoas
ficarem com os méritos, mas se corriam mal chamava a si a
responsabilidade.
Em crise não há liderança partilhada: se o barco se está a afundar o capitão não pode convocar uma reunião, tem de dar ordens.
Um dos maiores segredos da liderança partilhada é saber quando ser o chefe e quando ser o parceiro.
Não há nada de novo nestes princípios, que encontrará em Aristóteles. Mas por que razão não se encontram mais exemplos destes?
Penso que por dois motivos principais. O
primeiro é que os gestores de topo receiam perder o poder, querem
dominar. Mas os verdadeiros líderes não receiam a força.
O outro obstáculo básico é o receio da diferença.
Querem pessoas à sua semelhança,
esquecendo-se de que só a mediocridade é uniforme. Temos de tolerar e
até de cultivar a diversidade.
Isto é cada vez mais relevante, numa
altura em que muitas pessoas sabem mais do que o chefe. Este deve
aprender a construir uma equipa em que os especialistas tomem a
liderança nas áreas em que dominam com superioridade.
Os líderes têm de aprender a lidar com
essa realidade e com o facto de trabalharem com pessoas que não
controlam (pares, parceiros), a quem não podem dar ordens - só se pode
fazer uma equipa de liderança.
Tudo isto parece óbvio, mas não é simples.
Exige muito, mas, em contrapartida, dá muitas recompensas.
Ken Blanchard
"Como num jogo de futebol, o líder deve
entusiasmar a equipa, aplaudir os seus progressos em direcção à baliza,
incentivando-os a marcar golo. Mas sem pontuações não há jogo. O
entusiasmo é igual à missão vezes a remuneração e o reconhecimento."
Como criar uma força especial na sua empresa. Todos
conhecemos empresas em que há patos: "Não sou o responsável, quá quá,
não sou eu que faço as regras, quá quá, se quiser fale com o supervisor,
quá quá."
Para acabar com este tipo de actuação
tem de criar entusiasmo nas pessoas, tem de focar a sua energia, de
criar "Gung Ho" (Gung Ho, o título do mais recente livro de Ken
Blanchard, é uma expressão chinesa associada aos conceitos de motivação,
colaboração e interajuda.
Nos Estados Unidos é vulgar a sua utilização com um significado semelhante à expressão "go for it", força).
Gung Ho é a história de uma gestora que
faz o turnaround de uma fábrica com base nos ensinamentos de um índio.
Os seus segredos, aprendidos na observação da Natureza, são três:
- O espírito do esquilo. O espírito do
esquilo foca a energia das pessoas, dá uma visão. O esquilo trabalha
arduamente porque considera que o seu trabalho vale a pena. Isso
acontece por três razões:
- Reconhecer que está a tornar as organizações melhores. É o sentido de que o seu trabalho faz a diferença.
Numa empresa havia um grande turnover de
recepcionistas. Isso mudou quando ganharam a noção de que o seu
trabalho era fundamental e passaram a chamar-se "directores de primeira
impressão";
- Todos trabalham para um objectivo comum. Os valores orientam todas as decisões, planos e acções.
Os valores que a Disney incute em todos
quantos entram para a empresa são a segurança, a cortesia, o espectáculo
e a auto-suficiência;
- Os valores orientam todas as decisões, planos e acções. Eles inspiram a tomar as decisões acertadas.
Por vezes podem registar-se conflitos de
valores. Se no parque de diversões um empregado está a atender um
cliente, mas surge subitamente um problema de segurança, deve
simpaticamente acorrer ao valor mais elevado, a segurança;
- O método do castor. O castor controla
as suas acções até atingir o objectivo. O seu segredo é: as pessoas é
que mandam no seu trabalho. Para isso é necessário:
- Um campo de acção com limites
claramente definidos. As pessoas fazem tudo o que se encontra na zona
delimitada pela missão, valores e objectivos da empresa essas as
fronteiras;
- Respeitar, ouvir e levar em
consideração os pensamentos, sentimentos, necessidades e sonhos. Quando
os empregados estão envolvidos fazem uma diferença e são respeitados
pela sua competência. Os bons líderes não os receiam, ouvem-nos;
- Ser competente mas ousado. A melhor
forma de desenvolver líderes é dar-lhes uma forma de reforçar os seus
pontos fortes. Se necessário, deve dar formação. Muitas vezes
atribuem-se poderes às pessoas (empowerment) sem que elas saibam o que
fazer com esse poder e, por isso, cometem erros.
O modelo de liderança situacional
(desenvolvido por Ken Blanchard e Paul Hersey) - que atribui um tipo de
liderança diferente consoante o estádio de desenvolvimento do liderado -
permitir-lhe-á desenvolver as pessoas até se tornarem vencedoras. Nesta
fase, elas podem, querem e devem ter controlo sobre o seu trabalho;
- O talento do ganso. Os gansos voam em
grupo. Quando o líder está cansado junta-se ao grupo e outro toma a
liderança do voo. É uma liderança partilhada. Por outro lado, quando
estão juntos fazem grande algazarra, como se estivessem a
congratular-se.
Esse é o principal dom do ganso, a felicitação. Para implantar esse dom na empresa tem de:
- Fazer felicitações verdadeiras. As
felicitações podem ser directas (um elogio) ou indirectas (quando o
líder lhe entrega um trabalho mais importante e o deixa fazer sem
intervir, por exemplo).
Qualquer que seja a forma que assumam,
elas têm é de ser verdadeiras, feitas no momento, isto é, em resposta a
algo que se fez, e incondicionais, ou seja, não dependentes de se a
pessoa faz outra coisa diferente;
- Comemorar os progressos. Como num jogo
de futebol, há que entusiasmar a equipa, incentivá-la, aplaudir os
progressos e não só os golos. Mas sem pontuações não há jogo.
O entusiasmo é igual à missão vezes a remuneração e o reconhecimento. O elogio não e a única forma de reconhecimento.
O dinheiro é também importante.
Peter Senge
"Peter Drucker diz que liderança é
visão. É mais do que isso. É a tensão criada pelo fosso entre a situação
presente e o sonho. Como toda a tensão procura resolução, ela é fonte
de energia que leva à criação de algo que não existia. E é isso que
fazem os líderes"
Liderança não é visão, é mais do que isso.
Hoje os gestores de topo das empresas controlam menos o que se passa na
organização do que os seus antecessores. Ora, todo o sistema tem um
controle. O meu corpo, enquanto sistema, tem um.
Se eu cortar o meu dedo e essa mensagem
tivesse de passar por 14 comités até chegar ao cérebro, que depois
decidia o que fazer e retomaria um percurso similar de descida, eu
sangraria até à morte.
Hoje as empresas fazem esforços de
descentralização porque quando os sistemas se refinam é isso que
acontece. Mas, quando as dificuldades surgem, o poder é sugado pelo
topo.
Em todos os níveis da sociedade há
situações em que a hierarquia é manifesta e obrigatoriamente inadequada.
Não vamos resolver as desigualdades sociais com mais impostos; nem
vamos transformar a sociedade só com os esforços do CEO.
Porque a Segurança Social, como as empresas, são sistémicas. Não há uma só causa nem ela é simples de resolver.
Para permitir que as organizações
pudessem aprender umas com as outras e, assim, produzir mudanças
sistémicas profundas lançámos a Society for Organizational Learning.
Tudo o que aprendemos nestes anos pode resumir-se a uma nova consciência
acerca da liderança colectiva.
O mito de que o líder é o que está no
topo da hierarquia está tão enraizado na sociedade que se torna difícil
imaginar que assim não seja. As pessoas referem-se a gestor ou a líder
como se fossem sinónimos.
Mas não o são. Se, como acredito,
estamos a passar por um repensar das ideias básicas da gestão, as
organizações têm de regressar às perguntas fundamentais. A primeira é o
que é a liderança.
A razão por que a liderança é tão
fulcral para a humanidade é porque é o fenómeno pelo qual se criam o
futuro e novas realidades. Liderança é fazer algo que nunca fizemos para
criar algo que não existia.
Quando conheci Peter Drucker, há cerca
de 15 anos, ele disse que liderança é visão. A visão é uma das pedras
angulares da liderança, é a forma como nos orientamos para a
"cristalização do nosso sonho", como disse Pablo Picasso.
É o retrato do rumo que queremos tornar
realidade, definição que não se resume ao mundo da gestão; é o que todos
os seres humanos fazem.
Discordo de Peter Drucker quando diz que
liderança é visão. É mais do que isso. Tal como Sócrates sentiu
necessidade de criar uma tensão na mente para que a verdade emergisse,
também na organização temos de criar uma tensão. Martin Luther King, que
todos conhecem como um homem com uma visão, passou a maior parte do seu
tempo a fazer algo mais do que articular o seu sonho: a dramatizar a
situação presente para que as pessoas vejam o que é (a realidade).
Isso cria uma tensão na mente do homem, uma distância entre o que é e o seu sonho, fosso que é o coração da liderança.
Toda a tensão procura resolução e só há
duas alternativas: quando a visão é elevada, a tensão pode levar a
redefinir mais modestamente a visão, para não se ser naïf, ou manter a
visão e mudar a realidade.
Esta tensão é uma fonte de energia, que leva à criação de algo que não existia.
Para se ser um líder efectivo é
necessário conhecer a realidade do que se passa na organização, não ser
prisioneiro da distorção da informação. Mas o que dizemos tem pouco a
ver com o que as pessoas percebem porque em 99% dos casos intervém a
pré-concepção.
Na Shell comecei a perceber o
significado dos modelos mentais. Muitos operam pelo que os psicólogos
chamam "realismo naïf": vêem o que é, as coisas como elas realmente são.
Mas a maioria interage com a realidade tendo as suas pré-concepções
como base.
Em 1971, depois de analisarem as
mudanças políticas, económicas e sociais dos países produtores de
petróleo, os responsáveis pelo planeamento da Shell tinham um cenário de
que algo poderia mudar.
Dois anos antes, anteviram a criação da
OPEP, o que é uma vantagem competitiva. Passaram um ano e meio a tentar
convencer dessa eventualidade os gestores de topo das empresas Shell
espalhadas pelo mundo. O efeito que tiveram foi nulo, como "água em
pedra".
Essa pedra são os modelos mentais. O
mundo que descreviam era tão bizarro que os gestores não podiam
acreditar. O seu modelo mental não o permitia.
Se hoje as pessoas tomam decisões em
toda a organização, o presidente executivo deixa de lá estar para
planear, organizar e controlar. O seu papel é, distribuindo poder e
autoridade, focar-se na melhoria da qualidade de pensamento, numa forma
de levar as pessoas a melhorarem aquilo que vêem.
Quando as organizações se reinventarem
serão capazes de ter líderes em todos os níveis da organização e gestor
deixará de ser sinónimo de líder. E isto é importante para a aceleração
da aprendizagem organizacional.
Tom Peters
"American Airlines passasse a servir
apenas uma azeitona nos martinis, em vez de duas. Com isso poupou-se
cerca de 40 000 euros, o que não são trocos. O problema das melhorias
graduais é que o caminho para a revolução não se encontra comendo
azeitonas"
Ninguém sabe nada . Eu
não tenho uma teoria do Universo, não confio em ninguém que tenha uma
teoria do Universo, nem respeito ninguém que tenha uma teoria do
Universo. O mundo está a ser completamente reinventado.
Por pura coincidência, as pessoas que
estão nesta sala (presidentes de empresas norte-americanas) têm uma
responsabilidade fenomenal. Não é uma audiência nova e, para pôr o
assunto de uma forma ligeira, vocês não estão preparados.
Eu, Tom Peters, tenho 54 anos. Sou como
um monge a trabalhar nas minhas iluminuras quando um jovem segreda ao
meu ouvido que Gutemberg tem uma alternativa melhor. Pensei muito acerca
do tema do meu discurso e decidi-me por "Ninguém sabe nada".
Há cerca de cinco meses estive em
Orlando a falar para uma das 15 mil associações de comércio americanas
e, em teoria, a que tem mais receitas dentro das suas quatro paredes, a
Associação Internacional de Grandes Superfícies.
Na fila da frente estavam uma dezena de
pessoas que eu conhecia e dei-lhes os meus parabéns porque nos passados
15 anos reinventaram literalmente o mundo. Podem adorar a Wal-Mart,
podem odiar a Wal-Mart, não faz muita diferença. Todas as lojas fazem o
que a Wal-Mart começa a fazer.
Depois fiz uma pergunta dirigida aos
crédulos: pensam que nos próximos 15 anos o mundo vai ser mais suave do
que nos 15 anos passados? Esta é, obviamente, uma pergunta estúpida.
Olhei fixamente para o presidente da Wal-Mart e perguntei: então
digam-me por que é que pensam que as vossas empresas ainda estarão aqui
dentro de 15 anos.
Claro que é um exagero. Existem apenas
dois requisitos para qualquer empresa sobreviver hoje: uma agilidade
fenomenal e uma falta de arrogância chocante.
Há algum tempo Nicholas Negroponte, do
MIT, disse que as melhorias graduais são o pior inimigo da inovação.
Penso que vi esta frase há seis ou sete meses e, honestamente, ela
tem-me impedido de dormir descansado. A maioria de vocês tem
provavelmente estado a brincar com a ideia japonesa de Kaisen (melhoria
contínua), que torna todas as pessoas responsáveis por fazer tudo melhor
do que ontem.
É uma boa ideia. A única parvoíce é que
surgiu como uma nova ideia há 20 anos. A única interpretação possível
que vejo para esta frase de Negroponte é que, se se está a passar 85% do
tempo a tentar fazer as coisas melhor do que se fez ontem, então não se
está a passar 85% do tempo a criar coisas novas.
É pior do que isso, porque o programa
mental da pessoa que faz melhorias, o seu estado emocional, é antagónico
ao estado emocional do destruidor.
Li que na American Airlines alguém
sugeriu que se reduzissem as azeitonas servidas nos martinis de duas
para uma poupariam cerca de 40 000 euros, o que, mesmo para esta
empresa, não são trocos.
O problema é que o caminho para a revolução não se encontra comendo azeitonas.
O que é que se faz quando se é uma
grande empresa zonza e sem ideias? Faz uma fusão com outra grande
empresa zonza e sem ideias para juntas irem a lado nenhum. Foi o que
agora fizeram as consultoras que consideraram que serem seis (conhecidas
como as Big Six) era um número demasiado grande.
As Intels do mundo cresceram de dentro.
Não é assim tão difícil dividir uma grande empresa em pequenas empresas.
A AT&T, a Kodak, a Sears, a PepsiCo, a General Motors ou a
Monsanto, entre outras, fizeram-no.
Não advogo que "small is beautiful", que
se pode ter uma empresa a competir no mercado global a partir de uma
garagem em Palo Alto, California. O que pretendo frisar é que não há uma
organização gigante que seja flexível.
A Wal-Mart é gigante, mas é apenas um
pouco mais flexível do que as antecessoras. O que digo não é
politicamente correcto, mas não me ralo nem um bocadinho.
Não sou também adversário das
aquisições. Nos últimos dois anos a Microsoft comprou 47 empresas, no
valor total de 1,35 milhões de euros.
Esta é uma ideia brilhante, porque o que
a Microsoft está a comprar são ideias e talento, não quota de mercado.
Mas como disse Dee Hock, "o problema não é ter ideias inovadoras, é como
derrubar as antigas".
A inovação é a capacidade estratégica e organizada de esquecer,
É isso que as empresas americanas
construtoras de automóveis não conseguem fazer, são incapazes de
esquecer a ideia de que os Americanos compram carros grandes.
O problema com as aquisições é que a
pior e a maior empresa é quem acaba por influenciar a mais pequena e
melhor, nunca é o inverso.
A qualidade é o preço de entrada num
mercado, não é nenhuma vantagem competitiva. Com os produtos cada vez
mais iguais, há que lutar contra a sua transformação em meras
mercadorias.
Robert Hayes considera: "Há 15 anos
competia-se com base no preço, hoje é pela qualidade e no futuro será
pelo design." A Nike, de Phil Night, sabe bem isso, empregando 350
designers, mais do que qualquer fabricante automóvel.
Charles Handy prevê que as empresas no futuro serão organizadoras, não empregadoras.
Os estrategos da organização não sabem o
que é uma organização, porque as pessoas que estão a inventar as
empresas são os jovens. Warren Bennis considera que os grandes grupos
adoram o talento e sabem onde encontrá-lo.
Fiquei fascinado por ele usar a palavra
"talento", em vez de "empregado". Bernard Arnault, o executivo principal
do império de luxo MHLV, só está interessado nos jovens talentos.
Lewis Platt, da Hewlett-Packard, avisa
que "o que quer que o fez ter sucesso no passado não o fará ter sucesso
no futuro". Ele não podia estar mais correto.
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