terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A escolha fundamental do CEO

Fazer bem e fazer o bem ao mesmo tempo. Esse é um dos mandamentos atuais da gestão, e significa obter lucros enquanto se trabalha a favor de comunidades e do planeta. Estudo conduzido por Morten Hansen, professor do Insead e da University of California em Berkeley, demonstra, no entanto, que essa é tarefa complicada para os líderes. Mas, vencer, para Hansen, também é questão de escolha.

Hansen é autor, com Jim Collins, de Vencedoras por opção (ed. HSM). Em 2011, Hansen e seus colegas do Insead, Herminia Ibarra e Urs Peyer, estudaram a relação entre o desempenho financeiro e os desempenhos social e ambiental (medido segundo a MSCI, que apoia decisões de investimento) de mais de mil CEOs. A descoberta: a correlação entre essas variáveis é zero.

“Algumas empresas provavelmente não estão gerindo com esses fatores (ambiente e sociedade) em mente. Algumas podem não ter estratégias sociais e ambientais atraentes. Podem, ainda, ter essas estratégias e a estratégia corporativa em desalinho e também podem ter medidas incompletas de práticas sociais e ambientais”, comentam os autores à Harvard Business Review.

Contudo, o estudo evidencia alguns “outliers”, os “estranhos no ninho”, que são 5% dos líderes pesquisados. Eles entregam grandes resultados financeiros, sociais e ambientais. Para os pesquisadores, esses CEOs são modelos para criação do “valor compartilhado”, conceito que vem sendo apregoado por Michael Porter.

Os latino-americanos

Entre os líderes-modelos, está Alessandro Carlucci, da Natura, posicionado entre os 6% melhores em desempenho financeiro. Segundo os autores, a Natura identificou os problemas ambientais maiores do seu setor –pobreza e devastação de florestas– e direcionou seus esforços para enfrentá-los.

O Brasil e o México foram destacados pelos pesquisadores. Os brasileiros corresponderam a 4,5% da amostra, mas a 9% dos 100 melhores, o que é um dado positivo. Roger Agnelli, da Vale, e Mauricio Botelho, da Embraer, são destaques. No entanto, o Brasil também é representativo entre os 100 piores, o que, segundo os autores, indica que o terreno aqui é de alto risco e alto retorno.

Os líderes norte-americanos, por sua vez, não se saíram tão bem na pesquisa: sua pontuação média ficou 215 posições abaixo dos CEOs da América Latina, e também abaixo da média indiana e da britânica.

Líderes que escolhem vencer

Para os autores de Vencedoras por opção, a grandeza do líder é questão de escolha consciente, e esse será o tema que Hansen trará ao Fórum HSM Gestão e Liderança 2013, encontro que acontecerá em São Paulo nos dias 2 e 3 de abril. “Podemos controlar só um pouquinho do que nos acontece. Mesmo assim, somos livres para escolher, livres para nos tornarmos grandes por opção”, dizem os estudiosos.

O livro apresenta um conjunto de organizações cujo desempenho foi, no mínimo, dez vezes superior à média de seus setores entre 2002 e 2011: Amgen (biotecnologia), Biomet (produtos médicos), Intel, Microsoft, Progressive Insurance (seguros), Southwest Airlines e Stryker (produtos e equipamentos médicos).

À parte do mundo corporativo, Roald Amundsen, o explorador que liderou a primeira expedição que chegou ao Polo Sul, em 1911, e Robert Falcon Scott, que chefiou o grupo que chegou ao mesmo ponto um mês depois de Amundsen, são dois líderes que ensinam sobre grandeza. De acordo com Collins, em entrevista concedida a Bob Morris, eles possuem rara combinação de disciplina obstinada com criatividade empírica e paranoia produtiva. Essas três qualidades, reunidas, transformam um executivo em grande líder.
Fonte: Portal HSM

Nenhum comentário:

Postar um comentário