Quando se
fala em Liderança, uma das primeiras e mais importantes atribuições do líder,
logo ressaltada, é sua capacidade de negociar.
As
mudanças no mundo e nas empresas leva-nos à constatação de que encontramo-nos
em um momento de transição de um tempo que está acabando e de outro que começa.
Estruturas hierarquizadas são substituídas pelas matriciais, as relações
formais cedem lugar às informais, os vínculos burocráticos perdem sentido
diante dos vínculos empreendedores, já tem pouco valor o "manda quem pode,
obedece quem tem juízo" , quando todos sabem que é necessário "fazer
o que é preciso". As informações centralizadas, até então um símbolo do
poder, perdem lugar para as informações pulverizadas, quando todos são envolvidos
nos processos de comunicação dentro das empresas. Cada um cuidando de seu
pedaço, em busca dos resultados de sua unidade, perde importância diante dos
resultados maiores da Empresa. A revolução provocada pela internet está fazendo
diminuir sensivelmente as vendas em local físico, em favor das vendas cada vez
mais significativas em "local virtual". Enfim, os antigos modelos
mentais, responsáveis por comportamentos e atitudes que já não funcionam, têm
que ceder espaço a novos modelos mais eficazes.
Todas
estas mudanças batem de frente com necessidades e valores enraizados, com um
"status quo" estabelecido e, principalmente, com o principal agente
de todas as mudanças: o ser humano. E este não muda como mudam as peças, as
máquinas ou seus componentes. Conhecer ou mesmo treinar habilidades não basta
para que o ser humano se disponha a mudar; o processo de convencimento é árduo
e muitas vezes desgastante. Nesta hora revelam-se os verdadeiros líderes. E,
quando falamos de líderes, não estamos nos referindo apenas àqueles que exercem
funções gerenciais , de chefia ou que detêm algum poder formal nas estruturas
hierárquicas. Referimo-nos a todos que precisam obter resultados com/e por
intermédio de outras pessoas, independentemente de sua posição, cargo ou
contexto em que esteja atuando. A estes principalmente não pode faltar o grande
atributo da liderança: saber negociar!
Segundo
os consagrados autores Kouzes e Posner a "Liderança é um conjunto de
práticas observáveis que podem ser aprendidas". Em seu livro Desafios da
Liderança eles citam as 5 práticas: 1. Desafiar o Processo; 2. Inspirar uma
Visão Compartilhada; 3.Capacitar os Outros para Agir; 4.Modelar o Caminho;
5.Encorajar o Coração.
Ora,
nenhuma dessas práticas pode ser imposta. Se não, vejamos alguns exemplos.
Como
impor às pessoas uma "uma busca de oportunidades desafiantes ou a assunção
de riscos" sem que eles estejam dispostas a isto? Como fazê-las colaborar
ou compartilhar informações, se elas não estiverem convencidas do valor destes
comportamentos? Dar o Exemplo, Reconhecer as Contribuições e até Comemorar as
Pequenas Vitórias são comportamentos ativos que exigem pré-disposição e
convencimento íntimo. Não podem ser impostos, mas podem e devem ser negociados!
Usando
suas habilidades pessoais, aliadas às boas técnicas de negociação, os
verdadeiros líderes são capazes de se transformar em "agentes de
resultados" tão necessários nestes tempos de mudança cada vez mais rápidas
e que exigem inteligência.
Eraldo
Meireles
Consultor do Instituto MVC
Consultor do Instituto MVC
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