domingo, 6 de novembro de 2011

DECLARAÇÃO DE AMOR

         Conta um médico que uma cliente sua, esposa de um homem avesso a externar os seus sentimentos, foi acometida de uma supuração de apêndice e foi levada às pressas para o hospital. Operada de emergência, necessitou receber várias transfusões de sangue sem nenhum resultado satisfatório para o restabelecimento de sua saúde.
         O médico, um tanto preocupado, a fim de sugestioná-la, lhe disse:
         - Pensei que a senhora quisesse ficar curada o mais rápido possível para voltar para o seu lar e o seu marido.
         Ela respondeu, sem nenhum entusiasmo:
         - O meu marido não precisa de mim. Aliás, ele não necessita de ninguém. Sempre diz isto.
         Naquela noite, o médico falou para o esposo que a sua mulher não queria ficar curada. Que ela estava sofrendo de profunda carência afetiva que estava comprometendo a sua cura.
         A resposta do marido foi curta, mas precisa:
         - Ela tem de ficar boa.
         Finalmente, como último recurso para a obtenção do restabelecimento da paciente, o médico optou por realizar uma transfusão de sangue direta. O doador foi o próprio marido, pois ele possuía o tipo de sangue adequado para ela.
         Deitado ao lado dela, enquanto o sangue fluía dele para as veias da sua esposa, aconteceu algo imprevisível. O marido, traduzindo na voz uma verdadeira afeição, disse para a esposa:
         - Querida, eu vou fazer você ficar boa.
         - Por quê? - Perguntou ela, sem nem mesmo abrir os olhos.
         - Porque você representa muito para mim. Você é a minha vida!
         Houve uma pausa. O pulso dela bateu mais depressa. Seus olhos se abriram e ela voltou lentamente a cabeça para ele.
         - Você nunca me disse isso.
         - Estou dizendo agora.
         Mais tarde, com surpresa, o marido ouviu a opinião do médico sobre a causa principal da cura da sua esposa. Não foi a transfusão em si mesma, mas o que acompanhou a doação do sangue que fez com que ela se restabelecesse. As palavras de carinho fizeram a diferença entre a morte e a vida.
         Não Basta amar o outro. É preciso que ele saiba que é amado!

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