A cidade de São Paulo ganhou uma ciclovia em fevereiro, ao lado do Rio Pinheiros
Já para começar a pedalar, basta um capacete e a própria bicicleta, diz a diretora de marketing e relações internas da fabricante de bicicletas Caloi, Juliana Grossi. O valor envolvido na mudança pode ficar em até um quarto daquele gasto - um capacete custa, em média, R$ 150, e uma bicicleta pode ser encontrada a partir de R$ 250. Mesmo com desgaste de peças, como cabos e freios, e com um ou outro eventual pneu furado, dificilmente o gasto com a bicicleta chegaria ao dobro desse valor no ano.
Ela destaca a necessidade não só de investimentos em infraestrutura e segurança da cidade, para que a bicicleta seja vista como uma opção real em termos de transporte, mas também de uma evolução na própria cultura do brasileiro para fazer essa mudança.
- De alguns anos para cá percebemos algumas mudanças em favor da bicicleta. A bicicleta, que sempre foi aliada a uma forma de atividade física e vida saudável, passou também a ser vista como meio de transporte sustentável e como alternativa aos grandes problemas de congestionamento que existem nas grandes cidades do país.
Ela ressalta ainda a mudança política que decorre dessa mudança de visão.
- Hoje vemos alguns políticos trabalhando ativamente a favor de que se pedale mais no país. Certamente a falta de infraestrutura impede um crescimento maior. Produção
Para este ano, a expectativa da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) é de uma produção de 5,7 milhões de unidades; para 2011, no entanto, a produção deve chegar à marca de 6 milhões de unidades e em 2012, de 6,3 milhões.
O resultado representa uma recuperação em relação a 2009, quando a produção caiu a 5,3 milhões de unidades - abaixo dos 5,8 milhões de 2008.
O país fica atrás apenas de China - com 65% da frota global de bicicletas, o equivalente a impressionantes 80,7 milhões de unidades - e Índia - com 11,9 milhões -, segundo a Abraciclo.
Grossi disse que a expectativa da Caloi para este ano é de produzir 800 mil unidades, e aproveitar que o mercado de bicicletas está aquecido.
Mercado
Ainda de acordo com a Abraciclo, o Brasil é o quinto maior mercado mundial de bicicletas. No país a região Sudeste lidera em número de bicicletas, com 28,8 milhões de unidades - ou 44% das que rodam pelas ruas, estradas e parques do país. O Nordeste responde por 26% do total, com 16,8 milhões de unidades. No Sul elas são 9,1 milhões, ou 14% do total. Centro Oeste e Norte estão empatados, com 8% (5,2 milhões de unidades) cada.
Do total de bicicletas circulando no país, 50% são usadas em substituição a veículos poluidores - ou seja, são pessoas que vão ao trabalho, à escola, faculdade, igreja pedalando. Como forma de lazer é a preferência de 17%. Um dado que pode ser visto como um bom sinal: 32% do total de bicicletas é de uso infantil - crianças essas que, dessa forma, estariam dedicando menos tempo a video-games, redes sociais e outros passatempos sedentários.
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