Delira-se, quando, para equacionar os problemas da humanidade, se foge dos grandes princípios que são o próprio fundamento da nossa civilização e a própria essência do cristianismo.
Desde que os homens pretendem organizar o mundo sem Deus, desde que renunciam àquela parte da vida contemplativa ou, como dizia, à "conversão ao céu" para a qual são destinados, depressa esquecem que são filhos do mesmo Pai e que possuem grandeza demais para que qualquer conquiste terrestre possa satisfazer a sua insaciável sede de felicidade. Assim, ambicionam sempre mais riquezas, mais poder, mais conquista mais domínio; toda a divisão lhes parece um atentado à sua necessidade de grandeza ou de expansão, tornando-se inimigo todo o indivíduo que ponha obstáculo ao seu avanço.
Se a busca dos bens terrenos é tudo para o homem, não pode mais ter fim a procura deles. Se, pelo contrário, o essencial para o homem é cultivar a vida da alma e preparar-se para a vida eterna, torna-se possível introduzir certa moderação na sua atividade econômica.
Só o (homem religioso) pode impedir o (homem que trabalha) de se transformar num estúpido sorvedouro insaciável pela vertigem da grandeza material, verdadeiro lobo para o homem.
Ser líder, função esmagadora, se leva isoladamente, mas na verdade magnífica quando se apóia no próprio Deus.
Ser líder: a alma de um grupo, o campanário de uma aldeia, o exemplo, o guia, o primeiro, não tanto para as honras como para os encargos, pelos galões como pelos cuidados; aquele que deve ser o mais valente, o mais resignado, o mais prudente, aquele para quem se voltam os olhares, quando caem os torpedos; aquele que não tem o direito de permanecer no seu abrigo, que não tem autorização para ter medo, que é responsável perante a sua consciência, perante Deus, não só de si próprio, mas dos outros; aquele que deve esquecer-se e sacrificar-se, aquele a quem a Pátria confiou certo número de seus filhos, dos quais pode ser o bom Pastor ou o assassino. Ser líder requer de qualidades não profissionais, mas morais exigem esta função sagrada entre todas? Que de dons é preciso possuir, na guerra, como na paz, para pertencer àqueles que se seguem ou que se imitam? A tudo respondereis simplesmente, enunciando as virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade.
A vida social implica relações de autoridade e de sujeição e, como Deus criou o homem sociável, quis as relações de inferior com superior. Submeter-se à autoridade, é respeitar a ordem divina; mandar e fazer-se obedecer, quando se está investido da autoridade, é igualmente cumprir a ordem divina. É necessário que aquele que manda possa servir-se da força de se impor aos outros na convicção de que cooperará na realização da vontade de Deus, e é necessária que aquele que se submete possa resistir a toda a tentação de rebelião sugerida pela idéia de que todos os homens são iguais dizendo a si próprio: "Deus o quer".
O líder deve fazer-se amar. Ë a resposta às questões angustiosas que se põem a cada instante, quando se tem de encarar o cargo tão pesado de dirigir. A confiança e o afeto resolvem na verdade, todas as dificuldades. Deve fazer com que os seus subordinados apreendam a concepção, o plano da empresa, e com que todos os executantes assimilem a sua vontade. Mas que se reflete, consiste em comunicar-lhes a sua própria alma, comungar com eles numa concórdia perfeita, cumprir em comum um dever coletivo, coordenar os seus esforços para realizar o bem geral na justiça; acrescenta-se que é unir os homens entre si por Deus, supremos dever e bem absoluto, e emprega-se o nome teológico: é propriamente a caridade.
A primeira qualidade exigida em um líder é, antes de tudo, que seja uma personalidade, isto é, segundo a etimologia da própria palavra, um órgão através do qual passa o som: per - sonalidade. O líder deve ser capaz de sentir o destino, não só da empresa para a qual trabalha, mas de cada uma das pessoas que lhe estão confiadas. Necessita-se, portanto de alguém que seja bastante desinteressado de si próprio para poder compreender o plano do Criador.
Sempre que me deixei diminuir como cristão, enfraqueci como líder.
Deus é o Senhor supremo autor de todas as coisas. Sua autoridade é soberana. Mas, num arroubo inefável de amor, associa os homens à sua ação no mundo. Longe de fazer deles escravos ou mesmo servos, oferecereis a oportunidade de se tomarem seus colaboradores e seus amigos.
Finalmente, é da obra de Deus que está encarregado de tratar. Quer se trate de comandar um exército ou de fundar uma obra, quer de animar uma oficina ou de lançar navios, tentará entrar em comunicação com o Céu para conhecer qual a vontade soberana de Deus a seu respeito, assim como dos seus. Tal conhecimento será o melhor fundamento do seu desinteresse e da sua tenacidade. Terá menos escrúpulos de pedir aos seus subordinados que abdiquem das suas preferências para se chegar a uma vontade unânime, e, levada a este ponto, a própria obediência será mais espontânea.
O líder que compreendeu a sua missão sentirá, num ou noutro momento, que essa missão lhe é superior. Existe tal distância entre o ideal proposto e a sua realização na vida, há tal diferença entre o que se é e o que se devia ser! Os homens são por vezes tão desconcertantes e os acontecimentos tão desorientadores!
Além disso, à medida que um líder progride, parece que, por um jogo misterioso e fatal, as suas responsabilidades aumentam. É então que o líder sente a necessidade de uma luz e de uma força superior.
Onde encontrá-las senão junto d'aquele cuja autoridade é o fundamento de toda a autoridade, cujo conhecimento é a origem de toda a verdadeira luz, cujo amor é a fonte de toda a energia benfazeja?
O segredo do líder não é senão o próprio Deus, que não repele nunca aquele que a ele recorre com confiança e humildemente nele se apóia, Deus que prometeu completar os trabalhos daquele que trabalham em seu nome como bom e fiel servidor:
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