Ao se aproximar o final de ano muitas empresas do setor de logística e transportes iniciam os preparativos para a elaboração de seu planejamento estratégico para o(s) ano(s) seguinte(s), cujo um dos principais focos é a atuação comercial.
Uma dos questionamentos mais comuns é: além do que estamos fazendo, o que mais podemos fazer para aumentar a rentabilidade e as vendas da nossa empresa? Para quais novos mercados direcionar nossos esforços e investimentos?
Novos segmentos vêm ganhando destaque no meio logístico, e são ainda muito pouco explorados pelos prestadores de serviços, constituindo-se, portanto, em grandes oportunidades de negócios. Dentre eles estão a logística de eventos, o atendimento de empresas do setor terciário (serviços), a indústria do entretenimento, a logística reversa e a logística do agronegócio.
O mercado brasileiro de feiras e eventos cresceu 300% no Brasil nos últimos 12 anos. As 160 feiras brasileiras de negócios reúnem 38.000 empresas de 30 segmentos; em 1.992 eram apenas 7.500 empresas. São Paulo já é considerada a capital sul-americana de feiras e eventos. Este mercado poderia ter crescido ainda mais se não fossem as dificuldades encontradas pelos investidores estrangeiros, tais como os altos custos portuários, excesso de burocracias, pouca disponibilidade de vôos, questões e legislações sanitárias, etc. Cabe aos bons e eficientes prestadores de serviços logísticos gerenciar essas dificuldades e oferecer aos seus Clientes uma solução livre de problemas.
A indústria do entretenimento engloba os setores de turismo, cultura, lazer e esporte e responde por cerca de 6% do PIB do Brasil e por 18% do PIB nos Estados Unidos; no Rio de Janeiro, a indústria do entretenimento é responsável por 10% do PIB local. Muitos especialistas econômicos entendem que a indústria do entretenimento, em especial o turismo, associada ao agronegócio, levarão o Brasil, no futuro, a posição de destaque mundial. A indústria do esporte no Brasil pode ser comparada a de países da Europa; o PIB do esporte no Brasil representa de 1,5% a 2,0% do PIB brasileiro, tendo um peso equivalente à indústria petroquímica. No mundo, a indústria do esporte representa algo em torno de US$ 400 bilhões e emprega aproximadamente 100 milhões de pessoas.
Já o setor de serviços, por muitos anos permaneceu relegado a um segundo plano, preterido pela indústria, mas aos poucos vem ganhando importância no meio logístico. Bancos, hospitais, restaurantes, hotéis, etc, possuem uma logística extremamente complexa e necessitam de soluções desenvolvidas por empresas especializadas para poderem focar em seu core business. Imagine a complexidade que envolve a logística de um grande hospital onde a falta ou o incorreto armazenamento ou manuseio de um medicamento pode comprometer a vida de diversos pacientes. A logística hospitalar envolve atividades de armazenamento de produtos sensíveis à umidade, temperatura e luz, montagem de kits individuais de remédios para pacientes, administração dos estoques e das compras de milhares de produtos, com diferentes características de validade, valor, manuseio e embalagem.
A logística reversa basicamente trata do retorno de produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo. Impulsionada pelas Normas ISO 14000 (logística verde), a logística reversa tem trazido grandes retornos às empresas, motivando o seu desenvolvimento e crescimento no meio empresarial. Nos Estados Unidos, de um custo logístico total de US$ 1,006 trilhões, estima-se que 4%, ou US$ 40,24 bilhões correspondam a custos da logística reversa. Trata-se de um mercado no qual estão envolvidas mais de 150 empresas de logística e onde a logística reversa representa, em média, 5% do seu faturamento. O foco dessas empresas está no segmento de eletroeletrônicos, alimentos, automotivo e bens de consumo. No Brasil é ainda um mercado incipiente, carente de soluções, infra-estrutura física específica e tecnologia.
Por fim, temos a logística do agronegócio ou agribusiness. Os problemas relativos à logística do agronegócio tem sido amplamente discutidos em função dos recentes problemas verificados para o escoamento da produção e da exportação. Mais do que carência em infra-estrutura, este segmento sofre com a falta de operadores logísticos especializados e capacitados a agregar inteligência logística, na forma de pessoas, processos e tecnologia.
Sinalizamos para vocês alguns dos segmentos de maior potencial no futuro, para os quais suas empresas devem, pelo menos, analisar as possibilidades de negócios.
Porém, continuarão se destacando no meio logístico segmentos como o automotivo (inbound e outbound), químico, farmacêutico, eletroeletrônicos e tudo aquilo relacionado à exportação, inclusive o transporte rodoviário de carga para os países do Mercosul.
Como se vê, há muito o que se trabalhar e se pensar para o planejamento estratégico dos próximos anos. Uma empresa não sobrevive sem estratégias e ao contrário do que muitos pensam, a estratégia não engessa a empresa, mas decide para onde você quer que a sua empresa vá e, então, como você quer conduzi-la até lá.
Como escreveu Sun Tzu em “A Arte da Guerra”, “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória conquistada, sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo e nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário