Não é preciso enganar ninguém para se destacar. Muito pelo contrário.
Tentar ludibriar pode ser pior do que não contar história nenhuma.
As histórias têm se mostrado uma boa maneira de atrair e fidelizar as
pessoas, fazendo com que se identifiquem com uma marca. Por isso, o uso do
storytelling pelas empresas para conquistar a lealdade e o engajamento de
clientes e funcionários é certamente uma ótima opção. Mas apenas contar boas histórias
não basta, é preciso vivenciá-las. Isso é o storydoing – se diferenciar pelas
ações.
Um dos casos de sucesso mais conhecidos é o da empresa TOMS, que a cada
calçado vendido, doa um par de sapatos para uma criança carente. É claro que a
história não é tão simples assim, mas o que importa é que a empresa não apenas
prega boas ações, mas as realiza. E nos dias atuais não há como agir de outra
forma. As histórias precisam deixar de ser vistas apenas como uma ferramenta de
marketing para fazer parte do DNA das companhias.
Segundo o pesquisador Adam Grant, os colaboradores que sabem como a
organização está cumprindo sua missão e auxiliando seus clientes são 300% mais
produtivos do que os que não têm essas informações. Esta é uma verdadeira prova
de como as histórias são mais lembradas e tocam as pessoas, fazendo com que se
sintam parte de algo maior. Mas e se ao invés de contar para os funcionários
que doa parte de sua receita para instituições carentes, por exemplo, a empresa
os levasse para participar desta entrega. Isso é storydoing. Sentir na pele que
o que é dito, é realizado.
Considerando o impacto positivo desta ação com os colaboradores é possível
imaginar como uma campanha desta seria bem aceita por clientes e parceiros. Os
resultados seriam colaboradores mais produtivos, consumidores engajados e
parceiros satisfeitos. Todos saem ganhando.
O storydoing traz credibilidade para a organização. Recentemente, foram
noticiados na imprensa casos de empresas que contaram uma boa história, seja
sobre a criação da companhia ou de como desenvolvem seus produtos, mas que
depois foram descobertas como falsas, apenas jogadas de marketing para se
diferenciar da concorrência. Como fica a reputação de uma empresa que age desta
forma tanto internamente quando para o seu público externo?
Mesmo que as inverdades não sejam desvendadas pela mídia, basta colocar-se
no lugar de um funcionário que vê como as ações da companhia são contadas nos
jornais e revistas, mas percebe que não condiz com a realidade do dia a dia.
Certamente, não serão orgulho e engajamento os sentimentos experimentados. As
boas histórias envolvem as pessoas e por isso são tão importantes. Contudo, ao
saber que toda a história contada era uma mentira, as pessoas se sentem
frustradas. A empresa perde um defensor de marca – figura tão importante em
tempos de redes sociais.
Não é preciso enganar ninguém para se destacar. Muito pelo contrário. Tentar
ludibriar pode ser pior do que não contar história nenhuma. É sabido que hoje
as pessoas possuem todas as informações que precisam na rede. Basta realizar
uma pesquisa em um site de busca para confirmar se o que está sendo contado é
de fato real. Por isso, não basta dizer que faz, é preciso ser.
Todos têm histórias para contar e mais do que isso, podem se basear nelas
para criar ações inovadoras de inclusão de seus diversos públicos. Para se
destacar, dê a todos a oportunidade de vivenciar boas experiências. Pare de
pensar no que o mercado quer e realize o que gostaria que fosse destacado da
organização. Desta forma, o storytelling estará alinhado com o storydoing.
Fonte: Luiz Alexandre Castanha - Administrador de Empresas com
especialização em Gestão de Conhecimento e Storytelling aplicado a Educação,
atua em cargos executivos na área de Educação há mais de 10 anos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário